segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Os Melhores de 2024

MAIS UM ANO CHEGANDO ao seu fim, mais um Melhores do Ano para encerrá-lo por aqui. 2024 foi um ano daqueles, confesso, mas não queria deixar a tradição passar batida. Além disso, em 2025, esse blog completa 10 anos de existência (juro que não imaginava que teria um blog por tanto tempo na internet). O que ficará pro ano que virá? Não sei ao certo. Mas quero postar mais por aqui, pois gosto de escrever corriqueiramente.
As categorias são as seguintes: Melhor HQ — que eu separo em Melhor Gibi de Super-Herói, Melhor Mangá e Melhor Tira Seriada —, Melhor Livro, Melhor Série, Melhor Filme, Melhor Música e Melhor Álbum.

MELHOR HQ

Melhor Gibi de Super-Herói

THE AVENGERS (2018),
de Jason Aaron, Ed McGuinness, David Marquez, Stefano Caselli, Javier Garrón e outros

Capa de Avengers (2018) #1,
por Ed McGuinness

Os Vingadores do Jason Aaron mexem com os sentimentos dos leitores de quadrinhos. A média da série pela crítica no ComicBookRoundUp.com é de 7.6, o que é considerado bom. A média entre os leitores é de 6.8, o que é considerado regular. A maior nota foi 8.8 (dada para três edições — 14, 20 e 31), enquanto que a menor foi de 5,8 (dada para a edição 48).
Para mim, o sentimento enquanto lia foi de diversão total. A fase não é estupenda, por mais que sua premissa pareça tentar buscar isso: Aaron decide contar a verdadeira origem do Universo Marvel, e de como os Vingadores surgiram. Em uma entrevista ao CBR, Aaron confirmou que essa fase seria mais uma das suas “grandes e imaginativas histórias, com um escopo e escala colossais”.
A sinopse é mais ou menos essa: um Celestial gigantesco — o primeiro de todos — procurando ajuda cai no que viria a ser a Terra mas é surrado por alguns seres poderosos que aqui estavam — e que viriam a ser a primeira formação de Vingadores da história. O “sangue” do Celestial se misturaria aos seres existentes e viria a “elevar” esses seres, tornando-os superpoderosos. É uma ideia bem legal e que se funde bem aos detalhes da Marvel.
A formação atual dos Vingadores é bem curiosa também. Além dos clássicos Capitão América, Thor e Homem de Ferro, o time ganha o reforço do Doutor Estranho, Pantera Negra, Capitã Marvel, Mulher-Hulk e o novato Motoqueiro Fantasma. Durante a fase, o foco é ligar os membros fundadores com os membros atuais. Odin no passado, Thor no presente; o mago Agamotto no passado, Doutor Estranho no presente; o Motoqueiro Fantasma do mamute no passado, o Motoqueiro Fantasma do Dodge Charger 1969 no presente...
É uma fase divertidíssima, que merece seu destaque como Melhor Gibi de Super-Herói de 2024.

(Abro parênteses rápidos para explicar uma coisa curiosa: quando traduziram o nome do herói Ghost Rider para Motoqueiro Fantasma, com certeza não levaram em conta que moto não era a única coisa que o herói podia usar. Rider, em inglês, significa cavaleiro, e, durante essa fase, em que vemos as versões do herói montando em um mamute, uma moto e um carro, fica estranho toda vez ler motoqueiro quando não é uma moto que se está pilotando. Enfim, a culpa aqui não é da Panini, pois a primeira vez que o herói foi publicado aqui no país foi em 1978, pela Editora Bloch.)

Melhor Mangá

MABATAKI YORI HAYAKU!! NUM PISCAR DE OLHOS,
de Kazuki Funatsu

Capa da primeira edição de Mabataki
Yori Hayaku!! Num piscar de olhos

Mais um pra série Mangás que Compro pela Capa (chamarei essa série de MCC a partir de hoje neste blog). É uma pena que Mabataki Yori Hayaku!! Num piscar de olhos não tenha o devido reconhecimento. O seinen foca na história de Himari Kohanai, uma estudante do colegial que admira uma menina que a ajudou numa situação de assédio; descobre que ela faz caratê; aceita sem querer o convite dela pro clube de luta — seu jeito desajeitado a faz ter certeza de que não consegue lidar com nada; só pra descobrir que a menina que ela admira é, na verdade, a irmã gêmea da que fez o convite. Mas, ainda assim, ela começa a participar do clube. Tudo para superar seus medos e mudar o estilo de vida.
É uma história leve e engraçada. O autor, Kazuki Funatsu, nunca tinha feito uma história mais séria — as obras dele focam muito mais em comédias eróticas e os hentai —, mas decidiu se desafiar com esse mangá. E ele faz um maravilhoso trabalho!
A história foi boa o suficiente para me convencer a começar a treinar caratê, o que passei a fazer em março desse ano. Mudei para a segunda faixa, amarela, em setembro.

Melhor Tira Seriada

PEANUTS,
de Charles Schulz

Minha tira dominical favorita, de 19 de novembro de 1961.
Arte por Charles Schulz.

Este foi um ano em que as tiras diárias voltaram a ser algo frequente no meu dia a dia. Como disse no Melhores de 2023, voltei a assinar o Comics Kingdom, o que me fez receber as tiras diariamente em meu e-mail. Além disso, descobri um novo projeto que também envia outras tiras que não estão disponíveis no CK. Parte da minha rotina matinal, ao acordar, leio sempre os quatro quadros diários. Porém, em 2024, não foram as tiras sequenciadas que ganharam destaque. Pelo contrário, foi uma tira diária de piadas com traço simples.
Quando Schulz começou Peanuts em 1950, não imaginava o quão estrondosa a tira seria. 50 anos depois, se aposentou. Schulz morreu no dia 12 de fevereiro. A tira que anunciava a aposentadoria, talvez por ironia ou coincidência, saiu no dia seguinte. Como escreveu David Michaelis, “Até o último momento, sua vida esteve inseparável da sua arte. Quando ele deixou de ser um cartunista, deixou de existir.”
Peanuts marcou minha infância. Assisti por incansáveis horas, num VHS, a animação de Um Natal de Charlie Brown, até mesmo fora de época. Quando descobri a tira num livro de Português escolar, passei a recortá-la e colecioná-la. Mais que uma simples tira de comédia, Schulz sempre inseria reflexões filosóficas e utilizava as crianças que estavam ali como artimanha da quebra de seriedade. “Estou com sintomas de depressão”, é uma das frases lidas, mas aí você repara que é um simples garotinho quase careca.

Minha tira diária favorita, de 21 de setembro de 1982.
Arte por Charles Schulz.

Em 2024, registrei na pele essa paixão por Peanuts, ao tatuar o terceiro quadro da tira que saiu no dia 21 de setembro de 1982. Venho postando diariamente no Status do meu WhatsApp diversas tiras que encontro pela internet e acho reflexivas o bastante para merecerem o compartilhamento.

A tatuagem feita pela tatuadora Larissa
Esteves, em março deste ano.

MELHOR LIVRO

COMO ENFRENTAR O ÓDIO,
de Felipe Neto

A capa do livro, lançado pela
Companhia das Letras.

SIM. FELIPE. NETO. Um dos caras que eu simplesmente não suportava no passado — não conseguia entender a graça do seu Não Faz Sentido, nos anos de ouro do YouTube, lá em 2013 — hoje aparece como Livro do Ano numa lista minha. Ah, as voltas que a vida dá.
Como Enfrentar o Ódio me chamou a atenção quando o vi numa pilha de livros mais vendidos lá na Livraria Travessa de Botafogo. Depois, li uma matéria na Quatro cinco um. Por fim, assisti a uma entrevista que o próprio autor concedeu à TV Brasil, além de assistir a um um vídeo do canal Livraria em Casa, em que o autor do vídeo comenta sua opinião quanto à leitura realizada. Fui fisgado.
O livro é praticamente um relato. Felipe comenta como foi de um propagador do ódio (o Não Faz Sentido sendo o principal meio disso) a um combatente. É ótimo porque mostra justamente os dois lados da moeda.
A leitura é leve e tranquila e, por mais que eu ainda me encontre lendo, já garanto que esse é um dos livros que eu mais estou gostando de ler.

MELHOR SÉRIE

BRIDGERTON,
de Kelly Valentine Hendry

Pôster promocional da primeira temporada.

Fui apresentado a essa série por uma amiga. Se tornou minha série de momento senhorinha: geralmente assisto enquanto estou passando roupa, fazendo o almoço ou arrumando a casa. É um romance de época baseado numa série de livros com mesmo nome escritos por Julia Quinn.
A série conta com um bom drama, cenas quentes e um romance não planejado que se desenrola de forma muito boa. Mas, para mim, o verdadeiro mistério está em descobrir a identidade de Lady Whistledown, que escreve sobre as fofocas e segredos da sociedade e publica tudo em panfletos.
Terminei a primeira temporada e quero continuar a série no próximo ano. Até o momento em que escrevo, a terceira temporada foi lançada e a quarta tem previsão para lançamento em 2026.

MELHOR FILME

DEADPOOL & WOLVERINE,
de Shawn Levy

Pôster promocional do filme.

Alguma surpresa para os leitores que acompanham este blog que o meu Filme do Ano é um filme de super-heróis?
Deadpool & Wolverine prometeu muito. E ele não só cumpriu como entregou muito mais. O filme é perfeito, introduz o Deadpool ao Universo Cinematográfico Marvel, faz uma gigantesca homenagem aos personagens que em algum momento apareceram nas telas (temos a presença da Elektra, Blade e até mesmo, num momento genial, o Tocha Humana da duologia Quarteto Fantástico, interpretado pelo Chris Evans — o mesmo que faz o papel do Capitão América Steve Rogers atualmente). A trilha sonora é incrível e as piadas são precisas e certeiras, sendo que o filme não passa pano para ninguém, nem mesmo pra própria Marvel.
Definitivamente irei reassistir em 2025.

MELHOR MÚSICA

“MALÁSIA”,
de Djavan

A capa do disco Malásia, de 1996.

Em um ano cujo status amoroso pode ser definido como “confuso”, Djavan surge como resposta. Malásia, canção do álbum homônimo de 1996, foi a música que mais escutei em 2024. Às vezes, repetia 5 vezes seguidas antes de colocar outra música, só para, então, voltar a repetir em algum outro ponto do dia.

Eu vou lá na Malásia te ver
Se você pra Ásia for
Eu nem contaria de um até três
Pensei, já fui

Já que eu posso sem asas voar
Sempre que tu me beijas
Não é histeria querer estar
Onde tu estejas

Ainda não encontrei o vinil. Vai ser bem difícil, dado que esse disco saiu durante a segunda metade dos anos 1990, quando os CDs já eram a febre e os discos saíam cada vez menos. Mas pretendo adicionar esse álbum à minha coleção, e espero encontrá-lo em breve.

MELHOR ÁLBUM

“THE 20/20 EXPERIENCE”,
de Justin Timberlake

A capa do álbum The 20/20 Experience, de 2013.

Pois é. Também não imaginava. Quando notei que estava ouvindo todos os dias a sequência de músicas que iniciava em Pusher Love Girl, passando por Suit & Tie, Strawberry Bubblegum, Tunnel Vision, Let the Groove Get In e Mirrors, até chegar em Body Count, eu confesso que não esperava que esse fosse se tornar o Álbum do Ano para mim. Afinal de contas, The 20/20 Experience foi lançado em 2013 e, só agora, 11 anos depois, eu fui dar a devida atenção a ele. É um álbum maravilhoso pra se ouvir fazendo qualquer coisa — cozinhando, dirigindo, arrumando a casa, trabalhando. Acho que foi por isso que fui pego sem notar. Além disso, é Justin Timberlake, que é o Príncipe do Pop, e um dos meus cantores favoritos desde a infância.
(Escrevo esse parágrafo notando que um novo álbum do Timberlake foi lançado esse ano e eu ainda não escutei uma música. Tá, tá, eu escutei só Selfish, que ele performou no NPR Tiny Desk Concert. Fica o lembrete pra 2025. Quem sabe esse novo álbum, Everything I Thought It Was, não se torne o Álbum do Ano que vem?)

E isso é tudo para o ano de 2024. Vejamos o que 2025 trará para todos nós. Até lá, fiquem todos bem! E feliz Ano Novo!!

Irajá, 30 de dezembro de 2024
Rio de Janeiro, Brasil

domingo, 28 de abril de 2024

“It's Over”, por Level 42

CONVERSANDO SOBRE MÚSICA estes dias, expliquei a uma pessoa que o que geralmente me atrai numa composição é a melodia. Claro, as letras também me chamam a atenção, sim, em especial nas canções dos anos 80 e 90 — sejam elas nacionais ou internacionais. Mas, com toda certeza, a melodia é sempre minha preferência.
Porém, eis um caso em que isso não aconteceu: enquanto ouvia o vinil de Running In the Family — sétimo álbum de estúdio da minha banda favorita, Level 42 —, a quarta faixa, que encerra o lado A do disco me chamou a atenção justamente pela letra.
Em minha cabeça, existe um conceito que não consigo me desapegar: de que músicas tristes devem estar no final do álbum pra encerrá-lo depois de te fazer dançar pra lá e pra cá. A influência disso se dá por causa do FutureSex/LoveSounds, segundo disco de estúdio do Justin Timberlake — e, até hoje, meu favorito do cantor. Porém, It's Over encerrar o lado A me pegou despreparado. Não estava esperando dar de cara com uma letra tão forte na metade do álbum.
A letra é melancólica. Fala sobre término. Fala sobre ir embora por se sentir incapaz de ficar. Fala sobre a tristeza de ter tido uma relação ideal e ter feito algo que fez tudo ir por água abaixo.
Como sempre, deixo abaixo a tradução da canção, junto ao videoclipe — que eu não fazia ideia de que existia, por sinal —, disponível no YouTube.


“Acabou”, por Level 42

Eu não vou estar aqui quando você voltar pra casa
Me desculpe se você não entender, me perdoe se puder
Mas eu estou vendo um outro caminho
E não voltarei mais

Não procure por mim pela cidade
Pois eu vou estar longe e você não me encontrar em nenhum lugar
E eu não levarei lembranças, perfumes, fotos ou promessas
Porque acabou
E eu não voltarei mais

Você me deu tudo
E eu parti seu coração
Você sabe que eu não queria
Partir seu mundo ao meio

Eu nunca teria ido embora
Se eu soubesse que você não aguentaria a dor
Uma carta no corredor, escrita na parede
Uma carta sem palavras de amor
Porque acabou
E eu não voltarei mais

E enquanto eu fecho a porta
Sei que estou quebrando seu coração
Eu devia ter te amado mais
Ao invés de ter partido seu mundo ao meio

E enquanto ando rumo a uma noite solitária
Me sinto triste, me sinto mal
E todas as vezes em que você se sentiu sozinha onde quer que estivesse
Não me odeie, por favor, mas eu não conseguia fingir mais

Sinto as lágrimas
Consigo sentir as lágrimas
Escorrendo por muitos anos
Lágrimas, sinto as lágrimas
Consigo sentir as lágrimas
Escorrendo por muitos anos

Parnamirim, 28 de abril de 2024
Rio Grande do Norte, Brasil

domingo, 18 de fevereiro de 2024

As surpresas do colecionismo de quadrinhos (ou “Aquela vez em que eu encontrei o gibi mais raro do Brasil perdido num sebo”)


Eis algo inusitado que me aconteceu na quarta-feira desta semana, dia 14 de fevereiro: depois de um piquenique com amigos, visitei pela primeira vez um sebo que não conhecia. Eu disse a uma amiga que estava colecionando vinis e ela disse que conhecia um lugar com vários baratos. Depois de mais de uma hora procurando entre inúmeros, encontrei dois que queria demais: Último Romântico, do Lulu Santos — uma coletânea dos maiores hits do cantor — e The Big Star, do Elton John — uma espécie de Greatest Hits só que produzido aqui no Brasil.
Vinis separados, virei para minha amiga e disse “Só para não ir embora sem um, vou procurar saber onde estão os gibis”. Depois de questionar o senhorzinho que é dono do local, ele me apontou uma mesa bem bagunçada e disse que “tem vários espalhados aí”.
Quando olho pra uma cestinha sobre a mesa, o susto: uma edição de Cavaleiros do Zodíaco: Episódio G #19. Eu não podia acreditar. Fui perguntar o preço dos mangás e a nova surpresa: “Esse daí é R$ 7”. Sete. Somente sete reais. Sete reais no mangá mais raro do Brasil.
Fechei o pacote somando R$ 50 quando adicionei Dragon Ball #32 da Conrad (a última edição antes da mudança do título para Dragon Ball Z). De brinde, ainda ganhei o encarte que me faltava pro vinil Aquarela do Brasil, da majestosa Gal Costa.
Este mês, eu completei 15 anos colecionando quadrinhos (meu primeiro gibi da coleção que hoje possuo foi Bleach #20, lançado em fevereiro de 2009). Ontem, me presenteei com esse mangá. Foi literalmente um dos melhores dias da minha vida.
(A foto que ilustra é um print do story que postei em meu Instagram na hora em que descobri o preço do mangá. Minha amiga segura ele em suas mãos enquanto eu tiro a foto, que ficou um tanto tremida por eu não conseguir conter as emoções.)