domingo, 21 de junho de 2026

Nana Shogi, por Georg Dunkel

O tabuleiro do jogo Nana Shogi.

NANA SHOGI É A MENOR variante de shogi já criada. Trata-se do menor jogo de tabuleiro com peças e regras baseadas no jogo japonês shogi, um tipo de xadrez. Foi criado por Georg Dunkel em 1998.
O Nana Shogi é jogado em um tabuleiro dividido em nove casas, organizadas em três linhas por três colunas. Cada jogador possui três peças em formato de cubo:
  • 1 Rei convencional (王Ōshō)
  • 2 peças multifuncionais, cada uma com quatro valores (formas) diferentes.
A peça ortogonal possui os seguintes valores:
  • Torre (飛, Hisha);
  • Carruagem (反, Hensha);
  • Asa de Andorinha (羽, Enu);
  • Intermediário (仲, Chūnin)
A peça diagonal possui os seguintes valores:
  • Bispo (角, Kakugyō);
  • General de Telha (瓦, Gashō);
  • Espada de Gato (猫, Myōjin);
  • Cão (犬, Inu)
Esses valores foram retirados de diversas variantes históricas de shogi:
  • Hisha e Kakugyō do shogi tradicional;
  • Chūnin e Hensha do chuushogi;
  • Myōjin do daishogi;
  • Gashō do makadaidaishogi;
  • Enu do washogi;
  • Inu do tenjikushogi.
As peças se movem e mudam de valor conforme a imagem abaixo:
  • O Rei pode se mover uma casa em qualquer direção;
  • A Torre pode se mover uma casa em qualquer direção ortogonal;
  • A Carruagem pode se mover até duas casas para frente ou para trás;
  • A Asa de Andorinha pode se mover uma casa para a esquerda ou para a direita;
  • O Intermediário pode se mover uma casa para frente ou para trás;
  • O Bispo pode se mover até duas casas em qualquer direção diagonal;
  • O General de Telha pode se mover uma casa para trás ou uma casa para uma das diagonais frontais;
  • A Espada de Gato pode se mover uma casa em qualquer direção diagonal;
  • O Cão pode se mover uma casa para frente ou uma casa para uma das diagonais traseiras.

Relação das peças e movimentos e promoções.

No começo da partida, o tabuleiro está completamente vazio. O jogo começa com os jogadores, alternadamente, colocando seus Reis no tabuleiro. Após a colocação dos Reis, em cada turno o jogador pode escolher entre:
  • Colocar uma peça no tabuleiro;
  • Mover uma peça que já esteja em jogo.
As demais peças podem ser colocadas em qualquer um de seus estados (valores), à escolha do jogador. Quando uma peça que não seja o Rei se move no tabuleiro — capturando ou não uma peça adversária — seu valor muda. As transformações ocorrem de forma cíclica e sequencial:
  • Ciclo da peça ortogonal: Torre → Carruagem → Asa de Andorinha → Intermediário → Torre → ...
  • Ciclo da peça diagonal: Bispo → General de Telha → Espada de Gato → Cão → Bispo → ...
É ilegal:
  • Colocar qualquer peça na casa central do tabuleiro.
  • Dar xeque ou xeque-mate através da colocação de uma peça.
  • Dar xeque-mate quando se possui uma ou mais peças na mão.
Um jogador pode dar xeque-mate por meio de um movimento de captura, desde que sua mão estivesse vazia antes da realização do movimento.
No xadrez ocidental, o afogamento resulta em empate. No entanto, no shogi isso não acontece, pois a filosofia do jogo considera que mover o Rei para uma casa onde ele seria capturado não é necessariamente um lance ilegal da mesma forma que no xadrez. Como o tabuleiro do Nana Shogi é extremamente pequeno, é comum que as peças dos jogadores acabem facilmente em posições difíceis, nas quais não possuem movimentos razoáveis disponíveis e uma situação de afogamento esteja prestes a ocorrer, mesmo havendo peças ainda na mão dos jogadores.

domingo, 31 de maio de 2026

“Everglow”, por Coldplay

A capa do disco A Head Full of Dreams.

ENQUANTO ORGANIZAVA MEUS discos de vinil no meu balcão — que serve como espaço também para café e para guardar meus CDs aqui em casa —, uma das coisas que notei foi que eu tenho muitos álbuns de bandas de origem britânica, em especial para os anos 1980. Level 42, Simply Red, Living in a Box, Duran Duran, The Human League, The Police... A lista é grande e repleta do que hoje você escutaria com facilidade em rádios como Antena 1 e JB FM.
Então, quando penso que a banda Coldplay aparece como minha favorita nos tempos atuais e, depois de pesquisar sobre a história, vejo que ela também é do Reino Unido, uma coisa encaixa com a outra e tudo faz sentido.
Em 2015, a banda lançou seu sétimo disco, A Head Full of Dreams. O álbum teve cinco singles para divulgação. Embora dois deles tenham se tornado extremamente populares — Adventure of a Lifetime sendo a música cujo clipe tinha macacos dançantes (que viriam a se tornar um meme); e Hymn for the Weekend, que ainda trouxe a voz da Beyoncé para ficar ainda mais marcante —, em minha opinião, é um terceiro que se destaca: a música Everglow.
Uma das questões centrais em minhas reflexões agora que alcancei os 30 anos está sendo a perda. Essa música fala sobre o sentimento que permanece depois que alguém importante sai da sua vida — seja por um término, uma separação, uma amizade que acabou. A ideia central não é a dor em si, mas a “luz” que continua existindo por causa das memórias dessa pessoa.
De acordo com Chris Martin, o cantor da banda, numa entrevista em rádio, o termo “everglow” representa aquela sensação calorosa que sobra depois da tristeza: você sofre pela ausência, mas também sente gratidão por ter vivido aquilo. O nome veio de uma expressão que ele ouviu de um surfista e reinterpretou como uma espécie de brilho emocional que permanece após o fim de algo importante.
Dedico essa canção a todos que já passaram pela minha vida e também àqueles que ainda nela permanecem.


“Brilho eterno”,
Coldplay

Dizem que as pessoas vêm,
E que elas se vão
Mas essa joia em particular
Foi mais especial
E mesmo você tendo partido
E com o mundo sendo desconhecido
Eu ainda te vejo
Celestial

Como um leão você correu
E como uma deusa, se moveu
Como uma água, você voou em círculos
Sob um céu com perfeito tom de roxo
Então por que o mundo continua girando?
E por que os carros nunca desaceleram?
Se para mim parece o fim de tudo
Se eu sei que deveria seguir em frente
Mas não consigo deixar você ir

Mas quando sinto frio, frio
Quando sinto frio, frio
Existe uma luz que você emana
Quando estou nas sombras
Tem um sentimento em mim
Um brilho eterno

Como irmãos de sangue
E irmãs inseparáveis
Juramos em uma noite
Que estaríamos juntos pra sempre
Mas a mudança de ventos
E dos cursos da água
Lembram que a vida é curta como a neve
E que vou sentir sua falta

Mas quando sinto frio, frio
Quando sinto frio, frio
Existe uma luz que você emana
Quando estou nas sombras
Tem um sentimento em mim
Um brilho eterno

O que eu faria por mais um momento
Vivo por esse sentimento
Um brilho eterno

Se você ama alguém
Faça com que esse alguém saiba
A luz que você deixou em mim
Um brilho eterno

Parnamirim, 30 de maio de 2026
Rio Grande do Norte, Brasil

domingo, 5 de abril de 2026

“Mesma trama, mesmo frio”, de ANAVITÓRIA

QUANDO ESTIVE PELA última vez no Rio de Janeiro, conheci uma pessoa muito especial durante uma noite de jogos com meus amigos. Era amiga destes amigos. Quando Camila se apresentou, enquanto cantávamos músicas aleatórias ao violão, descobrimos um gosto peculiar em comum: ambos somos fissurados por ANAVITÓRIA. O duo me foi apresentado há alguns bons anos, lá em 2018, e, desde então, as músicas delas são presentes no meu dia a dia. E, conversando com a Camila, descobri que ela, assim como eu, estava viciada em ouvir o disco Esquinas, lançado em 2024. Ouvimos o disco inteiro juntos e ressaltei a ela que uma das canções, intitulada Mesma trama, mesmo frio, era a minha música favorita do álbum.
    Tem anos que escrevo sobre tudo. Em especial sobre o amor. Essa canção tem sido um dos meus refúgios. Abaixo, deixo a letra da música e o visualizer dela.


ANAVITÓRIA
“Mesma trama, mesmo frio”

Sei que somos ensinados
Que no fim da história
A melhor escolha é matar
O outro em vida

Cortar os hábitos, um a um
Até que todos sejam inadequados
E pareçam nunca terem existido
Em dois ou três meses

Completos desconhecidos
Um salto entre a intimidade
E uma conversa de elevador
Sobre temperaturas

Ou nem mesmo isso
E esse roteiro é conhecido
A mesma trama, o mesmo frio
Sei que pode ser difícil

Mas a nossa história
Não quero esquecer das travessias
Das faíscas, dos incêndios
Do desconforto e a timidez
Da nossa primeira transa
E quando eu quis mais uma vez
Mais uma vez, mais uma

Pensar que nós dois
Saberíamos rir disso tudo
E agora já não há mais nada
Que possamos fazer

É o mais doído
É o mais difícil de entender
Quero sair dos círculos
Mesmo que seja estranho no início

Hoje, reli nossas conversas e doeu lembrar
Palavras duras, tanta raiva
Como é que a gente foi chegar aqui?
Como é que a gente foi chegar aqui?

Parnamirim, 4 de abril de 2026
Rio Grande do Norte, Brasil